domingo, 17 de maio de 2015

O caos nosso de cada dia!

Depois de dias de isolamento, agradeço ao técnico que veio em minha casa dar um jeito na Velox, e que me deixou muito "orgulhosa" quando comentou que não é de Mangaratiba e que lê meu blog.
Poxa! Fiquei muito grata pelos elogios e sinceramente, me animou em escrever hoje.

Obrigada, Marcus, pelo serviço e pelo carinho!

Então...
Gosto das discussões e do modo com que estão se expressando no blog. E esta postagem seria feita nos comentários da postagem anterior, mas ficou longa demais e não coube na sessão.

Aos amigos que afirmam que o assunto da Educação é sério ou que precisamos urgentemente de um direcionamento... concordo com todas estas opiniões, porém.....

Justamente por termos consciência da seriedade com que a educação deve ser tratada, por termos a certeza de que não se deve insistir em erros que nos levou a isto tudo é que a educação aparentemente está desgovernada NESTE momento.
Não, ela não está desgovernada neste momento, ela está desgovernada faz tempo e justamente neste momento, estamos tentando dirigir este comboio sem poder parar e assumir o controle da direção. Estamos como em um filme de ação em que o protagonista precisa assumir a direção do veículo desgovernado sem termos condição de parar o veículo que explodiria ao pisarmos no freio.

Vocês conseguem ter ideia do que estamos encontrando?  Vocês conseguem imaginar o "desaparecimento" de algumas verbas em um total que gira em torno de R$ 1.800.000,00 do salário Educação em obras "realizadas" nas UEs e que não conseguimos enxergar que obras seriam essas? Vocês conseguem administrar uma pasta que não pode contratar professores em sua totalidade para suprir as carências educacionais por termos tido uma administração incompetente que levou a uma intervenção do MP e cujas consequências estão "pipocando" agora? Uma administração que calculou mal o número de profissionais que era necessário para o processo seletivo simplificado? Uma administração que não incluiu nestes editais a figura do mediador? Que lotou muitos dos aprovados em locais distantes de suas residências dificultando o acesso, não levando em conta os gastos com transporte desses funcionários, levando-os a desistência de vagas? Sem contar com o despreparo  de muitos candidatos locais que não conseguiram aprovação!
Conseguem visualizar um depósito com uniformes espalhados, alguns mofados, material didático não entregue nas UEs, um monte de sucata de computadores que não podem mais serem disponibilizados a educação, fraldas que deveriam estar nas creches e que hoje, podem não estar mais adequadas par envio as UEs, panelas novinhas que podem ser entregues e que lá estão sem destino?

Hoje, nosso município é visto como mal pagador, e as empresas sérias não querem apostar em participar deste momento caótico até ter a certeza de que estamos sanando nossos problemas financeiros e nossa credibilidade como gestores...  somente empresas dispostas e encarar este desafio estão se prontificando neste risco à partir do trabalho incansável do prefeito e de sua equipe.

Tivemos um contrato de merenda escolar objeto de investigação pelo MP e precisamos fazer um contrato emergencial que foi implantado em condições precárias, onde nossos funcionários, profissionais de primeira qualidade, estão se empenhando em executar uma tarefa que não faz parte de suas qualificações, somente para que a educação não pare.

E não esqueçam que as pastas não são auto sustentáveis, já que uma área depende da outra e nossa área de transporte, está se dedicando em nos atender com a frota sucateada que deixaram para eles.

E agora, gostaria de entrar na questão dos hábitos, dos  "vícios" de conduta, da cultura local de nossa educação...

Encontramos uma SME inchada, encastelada, refém deles mesmos, com seus "salve-se quem puder" sendo a tônica que os conduz.

Profissionais capacitados, acima dos demais, distanciados da realidade de nosso município, que não se aproximam das comunidades escolares, que por sua vez, também em grande parte é abandonada em suas características pelas próprias UEs,

Temos uma educação que NÃO é feita por e com profissionais para a comunidade escolar... ela é feita para alguns destes profissionais!!!!

Temos professores que se magoam em voltar para a sala de aula, temos profissionais em desvio que estão se borrando de medo de um concurso público para correção destes desvios e da concorrência. Como se muda isso?

Eu espero firmemente que a desarrumação tão necessária para seguirmos e arriscarmos uma mudança na qualidade da educação, se faça com as menores perdas possíveis, mas elas existirão e não podemos nos furtar em encará-las.

A distorção é tanta que  última preocupação é a qualidade da educação... quando se aponta um problema, não se faz o "mea culpa"... se empurra para baixo...até chegar aos alunos e população...culpando-os de nossa própria negligência.
  
Não se empenham em captar recursos próprios para suas UEs, não se empenham em buscar parcerias com Ongs, ou entidades privadas, não traçam o perfil de suas UEs e distritos para que se direcione a educação para atender sua comunidade. Não se empenham em formarem conselhos escolares co-gestores de suas Ues, por tratarem o assunto como algo menor e um incômodo a mais em sua gestão que não pode ser desnudada e questionada...

Todas estas mudanças não acontecem em 30 dias...
Temos muito que caminhar e o assunto deve ser tema de discussões mais amplas e concretas, envolve diversos parâmetros e hoje... estamos apagando incêndios grandes e seus pequenos focos que se espalham por todo município.
Já diminuímos muito o excesso de pessoal na SME, e esta semana, ainda teremos mais ações neste sentido.
Ah! Não esqueçam dos fantasmas encontrados e posso garantir que nem todos eram comissionados....
Também vamos encontrar soluções para outros problemas como as sucatas em pátios de UEs, a lotação de pessoal e consultar nosso Procurador sobre a possibilidade legal de chamarmos mais contratados para suprir as carências encontradas, acabaremos o levantamento de vagas para concurso que não pode ser feito a meia sola, e sim contemplando a nossa real necessidade e corrigindo as distorções que estamos encontrando.

Posso afirmar que como todos, desejo uma educação de qualidade para meus netos e não sou leviana em escrever que isso se atingirá da noite para o dia e que teremos um ano letivo de excelência...só posso afirmar que estamos trabalhando, que estamos conceituando o que seria qualidade que é algo subjetivo e depende da definição democrática a partir das partes envolvidas, que abrange comunidade escolar, profissionais da educação e governo.
Só me permito afirmar que não faremos o de sempre... com fotos de projetos que jamais atingiram a rede em sua totalidade, que não haverá privilégios para poucos e que estaremos atentos a toda crítica e discutiremos as soluções que evidentemente não agradarão a todos, mas que serão necessárias para o conjunto.

Não esqueçam que somos somente ferramentas e não objeto fim da educação! Quando se capacita um profissional, não é para aumentar seu currículo...é para benefício do aluno e consequentemente da população que será mais crítica, porém embasada em conhecimento que o fará mais questionador.

Assim, quem sabe, nunca mais viveremos este caos em que nos encontramos.

domingo, 10 de maio de 2015

Mangaratiba - Um município doente.


Três semanas se passaram desde que tivemos o desprazer de termos nossas mazelas expostas ao país.

Tudo bem, é para estancarmos a hemorragia que vinha matando nosso vida coletiva, porém, se não mudarmos nosso modo de lidar com a política local, estaremos fadados a morte súbita e não vai adiantar termos somente uma gestão que deseja ser participativa se insistirmos em viciar nossos governantes.

Tenho percebido que muitos estão respirando aliviados e com desejos sinceros de mudanças, outros e posso considerar até mesmo que sejam poucos, continuam a desejar que nada funcione para que possam sobreviver em sua própria incapacidade de absorver choques de gestão ou de adaptação a quebra de comportamentos  nocivos a população.


O que precisamos, é de total participação da população, apontando por onde devemos ir e abertos a novidades que por vezes não são bem compreendidas. E participar, não significa, ser bajulador, mas também não significa ser intransigente ao ponto de difamar, recusar algo que nunca experimentou ou que desconhece. Afinal, somos todos aprendizes de cidadania crítica e participativa e juntos podemos fazer muito mais do que tivemos até agora.

Quando leio ou escuto uma crítica infundada ou superficial e que está baseada em "ouvi dizer", "disseram" ou "é assim porque é"... fico estarrecida em perceber que a motivação destas pessoas é a simples vontade de não mover águas para que não percam o rumo de uma navegação torpe e frágil que conhecem.


Vamos aproveitar e aderir a causa de Mangaratiba... sem ver grupos que só desejam politicagem, candidaturas e estagnação. Pensem em políticas públicas, pensem em causas que sejam úteis a população, promovam a cidadania e ordenamento de nosso município... mas, esqueçam neste momento a próxima eleição, não se ofereçam como donos de votos para conseguirem alguma benesse, não fomentem a insegurança e façam nossos representantes entenderem que desejamos somente que o município se desenvolva economicamente em um breve futuro, que possamos levar este ano caótico na educação com o mínimo de perdas, que a saúde se recomponha e que possamos andar por nosso município com um pouco de ordenamento apesar das condições econômicas em que ele se encontra.

Guardas municipais, profissionais da educação, pessoal da saúde, serviço público, vereadores e população... a hora é de reconstrução!

Depois, a gente vê!


sexta-feira, 1 de maio de 2015

O impasse...


Hoje, no dia do trabalhador, em um município cujo maior empregador é a prefeitura, e que tem como dever modificar esse quadro em que nos encontramos, em que deve ter como prioridade a geração de qualidade dos serviços públicos para que possamos também atrair novos investimentos empresariais, a reflexão e a partilha de ideias é a maior mensagem que podemos transmitir a todos.

A gestão pública não diverge tanto da gestão privada

As diferenças entre gestão pública e privada começam em como se escolhe os profissionais para suas funções  e terminam na hora da demissão – ou na impossibilidade de demiti-los. Essas diferenças não querem dizer que um setor é mais desafiador que outro: significam apenas que cada um deles possui peculiaridades às quais devem se atentar os líderes que tem como objetivo o bom ambiente de trabalho e sua produtividade.
Não são sorrisos ou discursos prontos que motivarão funcionários, estes, podem até facilitar e acalmar de início, porém não resultam em qualidade e nem em confiança na equipe.

Temos que refletir que as divergências têm início ainda antes da admissão do funcionário. Enquanto no setor privado, em geral, busca-se alguém com experiência de mercado, no público a prioridade deveria ser  a qualificação técnica. Na primeira situação, o desafio do gestor está em escolher um funcionário com habilidades inerentes à função que será realizada. Já, no funcionalismo público, é necessário que o líder saiba realinhar diferentes perfis de profissionais que não foram por ele escolhidos, para que todos trabalhem em função do mesmo propósito. Isso, se aplica quando o funcionalismo público é respeitado e quando se deseja de fato a valorização do quadro de funcionários de uma empresa pública e se quer a equidade de direitos entre TODOS.

Agora,  em ambos os setores, o gestor é instigado a manter sua equipe motivada, alinhada e evitar que desejem se desligar da função ou serem desviados para funções que não são as de sua competência.

No setor privado, existe a facilidade de direcionar seus funcionários e os propósitos da empresa para que caminhem juntos, já  que há maior possibilidade de manifestação de  expectativas tanto por parte do contratante quanto do contratado. Ao mesmo tempo, é vantajoso que o gestor direcione esforços para manter seu funcionário fiel à vaga que ocupa, uma vez que substituí-lo, embora muito menos burocrático que no setor público, é algo que demanda tempo e dinheiro.

Em contrapartida, na área pública a possibilidade da demissão está mais distante da realidade. Com isso, é comum acreditar que há menos cobrança nesse setor, o que não deve acontecer, visto que metas e indicadores precisam ser atingidos, mesmo nas empresas públicas. Porém, o maior o desafio é:  como manter a motivação da equipe sem a possibilidade de demiti-los, caso não cumpram o prometido?

Alguns pontos podem ser considerados primordiais: primeiro, o gestor deve ter interesse em conhecer a realidade e as habilidades particulares de cada colaborador que apesar de ocupar determinado cargo,  pode não ser capaz, necessariamente, de executar o que se espera dele. Por outro lado, ele pode se tornar excepcional, caso sejam realizadas algumas  adaptações em suas funções.

Procurar compreender o que motivou cada um a estar na respectiva vaga, desde que tal escolha não tenha sido algo para benefício pessoal de seu líder ou facilidades que só beneficiariam a má prática da administração. 

Em ambas as organizações, públicas ou privadas, o engajamento dos funcionários é primordial para a efetividade do trabalho de cada um. E para que isso aconteça, é necessário um questionamento contínuo: sua comunicação está realmente clara com sua equipe? As pessoas sabem o que é esperado delas? E  para isso acontecer, também é necessário que antes se avalie o ambiente em que o gestor circula, silenciosamente construir o entendimento de sua equipe e nunca, mas nunca mesmo, propor vantagens que somente se direcionam a funcionários que desejamos subjugar ou pelos quais se tem apreço particular. Depois de escutar, entender e dimensionar a qualidade de seu grupo, entra a fase de comunicação clara com sua equipe para que  juntos iniciem a construção de um novo ambiente organizacional produtivo, justo e cujo objetivo seja a qualidade do serviço prestado.

Comunicação, engajamento da equipe, relacionamento interpessoal, habilidades essenciais para quem quer o desafio da liderança, independente do tipo de organização.

E tenho certeza de que este será o maior desafio que encontraremos em Mangaratiba... comungar destas mesmas ideias e apresentar novos tempos de gestão pública para nossos funcionários. 

A vantagem que temos é ter um governante funcionário público que deverá a todo momento buscar a valorização da máquina pública, respeitando A TODOS e se desvinculando dos vícios que levaram a tanta desigualdade e insatisfação entre os funcionários, que acarretaram ao longo dos anos, esta acomodação e que levaram ao péssimo serviço público prestado a sua população. 

Hoje, em Mangaratiba, temos o salve-se quem puder.... quando deveria ser salvemos nossa dignidade como população e como servidores públicos.


Boa sorte, prefeito!


sábado, 18 de abril de 2015

Nota Oficial do Prefeito Ruy Tavares Quintanilha

NOTA OFICIAL


Nos últimos meses, vimos a crise governamental em Mangaratiba se agravar, vimos nosso município viver momentos de insegurança e intranquilidade sem que pudéssemos tocar o dia à dia.

Neste momento em que Mangaratiba se encontra, venho transmitir minha total dedicação e compromisso com a população, honrando não somente aos que sempre confiaram em meus propósitos, como a todo cidadão de nosso município. Assim, farei tudo para garantir que não tenhamos um desequilíbrio maior do que já estamos vivendo e garantir os serviços básicos como educação, limpeza pública e o atendimento em saúde que se encontra em total desmonte, deixando a população sem garantias a seus direitos constitucionais e básicos, principalmente neste momento, o acesso a esse serviço primordial a vida. O fechamento dos postos 24 horas e as recentes exonerações serão reavaliadas.

Não sabemos como encontraremos as contas públicas, não sabemos, hoje, em que grau de comprometimento estão os contratos firmados pela prefeitura, o valor total devido a fornecedores, ao Instituto de Previdência e ao INSS e não podemos dizer, de imediato, qual será a solução encontrada.
Durante a próxima semana a sede da Prefeitura Municipal de Mangaratiba estará fechada para o atendimento externo, mas estaremos trabalhando internamente. Daremos início a uma auditoria e iremos transmitir a toda população nosso passo a passo para reconstrução de nosso município. Nenhuma ação será tomada de cima para baixo! Nenhuma ação será feita sem que a população participe, ou seja informada em tempo real.

Convoco a população para tempos de união, de sugestões, de coração aberto para trocas que levem ao bem comum. Nosso município precisa ser reconstruído e não estamos vivendo momento eleitoral para que divisões e escolhas sejam mais importantes que o bem estar de nossa gente. Conto com o Legislativo, conto com o funcionalismo público, bem maior de toda administração, mas conto primordialmente com a população de Mangaratiba, para que juntos, possamos colocar nossa casa em ordem.
RUY TAVARES QUINTANILHA