Sou mistura da terra que escolhi viver e que já me fiz raiz. Sou semente que foi jogada pelo vento Vieira já em minha meninice, nesta terra dos aromas variados. Cheirinho de mato, de terra molhada e água salgada. Nem mesmo as sombras que insistem em escurecer minha terra, poderão me fazer menos amante de Mangaratiba. contato:raylsoncastro@hotmail.com
domingo, 10 de janeiro de 2010
Meus amigos fakes
Conversei cara a cara, olhos nos olhos, abracei, beijei, discuti e raramente vi pessoas reais.
Concluí que o mundo virtual é mais real que a vida vivida, pois a vida escrita é luz da alma.
Na internet as pessoas são o seu interior, seu conhecimento, seus desejos e suas angústias. Seus discursos refletem seu aprendizado, ou aquilo que sentem e que gostariam de viver. Até suas mazelas são reais e que muitas vezes estão bem escondidas na sociedade em que circulam.
Tenho o privilégio de saber quem são alguns fakes maravilhosos que muito me alegram na net por suas posições em relação a ideais de vida, de solidariedade e de conversas leves jogadas fora e absorvidas por mim com sorrisos e gargalhadas bem gostosas.
São pessoas que não sabem quem sou e que encontro na rua, no mercado, em restaurantes, ou que tenho notícias por acaso.
E são nestas ocasiões que percebo que a vida vivida por eles é irreal. São pessoas boas de discursos na net e pequenos assustados e tolhidos no seu cotidiano, ou então, são de uma agressividade desumana na net e delicadas criaturas na vida social.
Aí pensei,devo ser assim para os outros e me preocupei. Logo procurei aqueles fakes que me conhecem para saber da impressão que causava quando descobriam quem sou, e fiquei tranqüila, pois com exceção da fisionomia, todos disseram que sou na net o que sou na vida. Ufa!
Então pirei! Tentei entender o motivo, tentei entrar na alma das pessoas e encontrei mil razões, mas mesmo assim, ainda fiquei um tanto quanto adormecida em minha lógica.
Senti que sem este exercício de terapia em grupo que nos proporciona a net, eu conheceria bem menos algumas pessoas.
Aqui, os traidores sem causa se revelam, os oportunistas se avaliam, a sede de liberdade se manifesta, a dor do engano aflora, os preconceitos são visíveis, a igualdade é discurso inquestionável, e o melhor, até aqueles que nada acrescentam a ninguém permanecem em suas convicções.
Assim, volto à net com mais certeza de que basta jogar sua vontade de vislumbrar o outro e a sensibilidade em encantar-se com o ser humano, para que tenhamos mais um instrumento de aproximação com a vida real.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Nossa GM
Já passa da meia-noite e ainda não digeri o acontecido. Costumo melhorar depois que empurro o dia obscuro para seu devido lugar de algo que já aconteceu, ou melhor, para seu tempo correto que é o passado.
Mas, hoje está difícil de virar ontem. Não entendo o motivo das pessoas humilharem outras pelo simples fato de dimensionarem mal seu objeto de rancor. Se o objeto pelo qual nutrem antipatia for “alguém” que por sua aparência transmite fragilidade, ou classe social “inferior”, certas pessoas nojentas ferem e causam um mal imenso.
Neste hoje que insiste em não virar ontem, um GM de Muriqui, resolveu vender seus serviços ao comércio, e partindo para o ataque de seu marketing miliciano, foi até a farmácia da praça onde um jovem morador esperava a saída de uma funcionária.
O GM (guarda de merda) entrou no estabelecimento e disse que se precisassem dele era só telefonar, pois tinha visto um drogado parado na porta e que ele resolveria o problema. Este G merda, é parceiro do outro G merda que está preso acusado de ser o executor do vereador.
O jovem é de boa índole, havia bebido um pouco mais da conta, e é mulato......
Como a funcionária replicou a difamação a seu primo, o infeliz G merda, mais ainda o caluniou.
Agora, se o jovem retrucasse e o assunto fosse mais adiante, talvez tivéssemos uma tragédia, pois sei do que esta gente que está pendurada nos cabides de emprego de nossa prefeitura é capaz de fazer.
Será que agiriam assim, se este jovem dissesse que seu tio é procurador da república?
Que o outro tio é da polícia federal? Que seu padrinho é Coronel?
Que loucura é esta, onde o direito do indivíduo só existe se andar com o currículo de sua árvore genealógica?
O quanto ainda teremos que nos aviltar para que pessoas não passem por esta humilhação instituída como prática legal?
É..... qualquer dia destes teremos o Dia de fúria local, e não sobrará pedra sobre pedra na versão tupiniquim do Velho Oeste que se transformou Mangaratiba
sábado, 26 de dezembro de 2009
Vento Negro
Vento Negro
Onde a terra começar
Vento Negro gente eu sou
Onde a terra terminar
Vento negro eu sou
Quem me ouve vai contar
Quero luta, guerra não
Erguer bandeira sem matar
Vento Negro é furacão
Tua vida o tempo
A trilha o sol
Um vento forte se erguerá
Arrastando o que houver no chão
Vento negro, campo afora
Vai correr
Quem vai embora tem que saber
É viração
Dos montes, vales que venci
No coração da mata virgem
Meu canto, eu sei, há de se ouvir
Em todo o meu país
Não creio em paz sem divisão
De tanto amor que eu espalhei
Em cada céu em cada chão
Minha alma lá deixei
Composição: José Alberto Fogaça
Hoje escutei tanto esta música que não saiu de minha cabeça. Tentei escrever alguma coisa e só vinha "Vento Negro".
Tentava escutar outra música e lá estava eu ouvindo "Vento Negro".
Pensei em saudades de Porto Alegre, do rio Guaíba e nada!
Como não descobri o motivo de tanta obsessão, resolvi exorcizá-la no blog.
É linda! Gostosa de ouvir e remete aos bons tempos de José Fogaça, atualmente prefeito de Porto Alegre, em seu segundo mandato.
O poeta me encanta e o político me engana.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Dom
Hoje fiquei pensando em como uma só pessoa pode mudar o rumo da vida de outras.
Quando comecei a pensar em sociedade, fiquei muito confusa com dois aspectos que aparentemente se contradiziam.
Por um lado, venho de uma família que não é religiosa e ao mesmo tempo é de uma fé impressionante. Sempre estamos buscando caminhos que nos religuem ao início.
Assim, com momentos infinitos de aridez espiritual e outros de extrema necessidade de buscar algum sentido na vida, fomos namorando diversos segmentos religiosos, porém sem nos compromissarmos com nenhuma religião.
Tenho um irmão que foi fervoroso católico e se diz hoje um alucinado ateu e outro que tinha medo de tudo que não pudesse explicar e agora é católico de carteirinha. Tenho também a irmã, a mais linda de todas que namorou o espiritismo e se encontrou na visão de seu interior rico e lindo. Agora tenho uma que vagou pelo protestantismo, catolicismo e na umbanda e atualmente tira seus demônios nos chamados “evangélicos” e nos terreiros. Já outra se fixou na fé mestiça de crer em algum santo do catolicismo e respeitar algumas teorias do espiritismo.
Sem falar em minha mãe que apesar de não freqüentar igreja, foi a mulher de mais fé que convivi. Já meu pai tinha uma verdadeira aversão a qualquer crença.
Desta forma, tive minhas influências familiares que me antenavam a uma ou outra religião, mas que não eram suficientes para uma entrega.
Paralelamente a isto, na adolescência, conheci o aspecto social do indivíduo. Apaixonei-me pelo comunismo e repudiava qualquer elo entre o humanismo e o espiritual. Meus gurus eram Luiz Carlos Prestes, Che Guevara, Fidel, Jorge Amado, Lysâneas Maciel e tantos outros.
E a vida seguia sem dó nem piedade da pobre menina que só queria entender estes mistérios da alma e como certeza só tinha que, sem alimentar a vida, mataria a energia do espírito.
E foi então que me presentearam com o livro “O deserto é fértil” de Dom Hélder Câmara.
Este livro me acalmou as angústias e com isto, abandonei meus gurus e passei a amar Dom.
Dom é até hoje minha maior influência religiosa e social. Posso dizer que é meu estimulante quando o deserto é árido demais para suportar.
Gosto do que leio e releio de Dom. Devoro seus escritos e sua biografia.
Algumas frases que amo e são sonoras, coloridas e inundadas de perfume suave:
“Diante do colar belo como um sonho admirei, sobretudo o fio que unia as pedras e se imolava anônimo para que todas fossem um.”
"Missão é partir, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu.
Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros.
É abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los.
E se, para descobri-los e encontrá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo."
"Todas as revoluções não são obrigatoriamente boas (...) mas a história mostra que algumas eram necessárias e produziram bons frutos".
Dom me faz a cabeça até hoje!